Peace? War. E seus correspondentes

Carro destruído por bomba (primeiro plano) em Bagdá e um "pedaço" das Torres Gêmeas (ao fundo) - Fotos: Melissa Becker

Antes de vir para a Inglaterra, já estava de olho na exposição War Correspondent – Reporting Under Fire Since 1914 - considerada a maior mostra já realizada no Reino Unido sobre correspondentes de guerra -, no Imperial War Museum North, em Manchester. Fica em uma área da cidade que não conheci na minha primeira visita. Ir ao Quays me deu a sensação de visitar outra cidade e, mesmo tendo sido só por algumas horas (e com problemas com cancelamentos e atrasos dos trens na ida e na volta), valeu a pena.

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O prédio

Já tinha visitado o Imperial War Museum London e o Churchill War Rooms, no ano passado. A unidade do Norte foi a única a ser construída para “servir” de museu – as demais, apesar de serem locais maiores, foram adaptadas para a função. E não é qualquer prédio: é assinado por Daniel Libeskind. O vento inacreditável daquele dia, que não me permitia caminhar em linha reta, também não me deixou tirar mais fotos do exterior, nem subir no ponto mais alto para ver a cidade (mais algumas imagens no meu Flickr).

Lowry (esquerda) e Imperial War Museum North (direita)

Libeskind também assina o Jewish Museum Berlin (do qual conheci apenas o jardim)…

Jewish Museum Berlin: motivo para voltar à Alemanha

…e o projeto em andamento para o local onde ficavam as Torres Gêmeas. Fiz um curto tour pelo museu (realizado todos os dias, às 13h30min), e a guia comentou que o prédio foi desenhado para nos sentirmos desorientados dentro dele, perdidos, como as pessoas na guerra – e essa sensação realmente ocorre. Segundo ela, o Jewish Museum também tem essa característica, mas é mais “desorientador” ainda.

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Ferro-velho de guerra

Nunca fui a Nova York, mas posso dizer que vi o que sobrou das Torres Gêmeas. Bem, vi um enorme “pedaço” de ferro retorcido que restou do World Trade Center na área principal de exibição do Imperial War Museum North (confere a primeira foto no início deste post). Segundo o site do local, a peça mede sete metros de altura (seria o equivalente a mais ou menos dois andares, considerando que, em geral, um andar tem 3 metros) e pesa mais de uma tonelada. Mais impressionante ver pessoalmente e pensar na temperatura que deve ter chegado para deixar a estrutura “crispada” daquele jeito. Próximo, os visitantes podem ver o carro destruído por uma bomba em um mercado de Bagdá, em 2007 (no ano passado, estava em exposição em Londres, algumas fotos aqui).

Ferro retorcido do World Trade Center

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War Correspondent

Apesar de haver correspondente em guerra desde a Crimeia, a exposição começa seu relato em 1914 porque é o ano de início do acervo IWM, explicou a guia. E os correspondentes são, claro, britânicos – faces não muito conhecidas pelos trópicos. Mas as dificuldades de repórteres de qualquer nacionalidade nestas situações podem ser bem semelhantes, imagino, embora existam questoes bem peculiares. Entre os diversos vídeos que compõem a mostra, roda um de dicas na hora de fazer as malas antes de seguir para uma região de conflito – muitos dólares americanos em notas pequenas, inclusive. Uma repórter (de quem não descobri o nome) revelou que, na mochila do equipamento, só cabiam seis calcinhas. Mas ela ainda levava um livro de receitas – oi? “Para trazer de volta à humanidade“.

Equipamentos usados para cobrir conflitos são abordados na mostra, com exemplos como um gravador em disco portátil usado na Segunda Guerra Mundial e um “trambolho” com antena para transmissão por satélite usado pela BBC na Guerra do Golfo. Dificuldades de transmissão? Oh, se há. O repórter Brian Hanrahan, cobrindo a Guerra das Malvinas a bordo de um navio para a BBC, mandava imagens de TV por navio, pelo que entendi – e acredita-se que essas dificuldades tecnológicas ajudaram o governo a moldar a forma que o conflito foi retratado na mídia. Neste caso, jornalistas argentinos devem ter tido vantagens pela proximidade dos territórios.

Hanrahan e Kate Adie (na cobertura da Guerra do Golfo) enfrentaram momentos, no ar, em que não podiam revelar fatos devido à censura da inteligência militar, deixando isso claro ao espectator. A Primeira Guerra contou com apenas cinco “correspondentes oficiais”, e está em exposição um texto original do repórter Arthur Moore, do The Times, “batido à máquina” e cheio de cortes e rabiscos do censor. De um dos ternos brancos de Martin Bell (ele só usa roupa dessa cor nas coberturas, por superstição) à bala que ricocheteou na perna de Kate Adie no Golfo (aliás, interessante o número de mulheres nos conflitos, começando com Martha Gellhorn, na Guerra Civil Espanhola), War Correspondent também exibe um Land Rover blindado da Reuters que foi atingido na Faixa de Gaza, em 2006, e a burca que John Simpson usou para entrar disfarçado no Afeganistão, em 2001.

Foi a única área do museu sem permissão para fotografar. War Correspondent pode ser visitada até 2 de janeiro, com entrada franca.

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Os livros

Coisas de vítima de lojinha de museu – resisti à compra, mas copiei alguns dos títulos dos livros relacionados à cobertura de guerra na loja do museu:

> War Correspondent – Reporting Under Fire Since 1850, por Jean Hood (é o livro da exposição, mas cobre um período maior)

> How To Avoid Being Killed in a War Zone – The Essencial Survival Guide For Dangerous Places, por Rosie Garthwaite

Frontline – Reporting from the Worlds Deadliest Places, por David Loyn

Inside the Danger Zones – Travels to Arresting Places, por Paul Moorcraft

> Corsets to Camouflage – Women and War, por Kate Adie

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